26 de jul de 2009

Terceirizamos a Evangelização

Este foi o erro que identifiquei em meu modo de me relacionar com as pessoas com as quais ainda não conheço e pouco ou nenhum laço de amizade possuo. Atentei-me a esta séria distorção quando convidei uma pessoa para vir para a igreja, quando na verdade, sabia que deveria ter-lhe apresentado com simplicidade e clareza o Evangelho de Jesus Cristo. Alguma vez isso já aconteceu contigo?
A conclusão que tenho chegado ao longo dos anos, é que por razões diversas, tais como: o agir de acordo com o que é politicamente correto; o pensar na possibilidade do jeitinho brasileiro para a salvação, ou seja, toda expressão de fé é valida unir-se a Deus; a timidez para assumir que se é seguidor de Cristo; a vergonha para comunicar o que crê; e, tantas outras, inconscientemente tem criado nos salvos um sentimento de culpa e fuga. Por isso surge terceirização da evangelização para atenuar o peso da omissão.
Tercerizamos a evangelização quando temos a oportunidade para pregar o Evangelho e a transferimos para terceiros. Terceirizamos quando dizemos: “Vá na igreja”; “Acesse esse site”; “Fale com Deus”; “Vai passar”; “Não esquenta”; “Faz parte da vida”; não é isso que as pessoas precisam ouvir. Elas necessitam ouvir, no seu dia-a-dia, no contexto em que se encontram, que Deus existe, as amam e só Ele pode mudar a sua vida por meio exclusivo do Senhor Jesus Cristo. As pessoas precisam saber que Deus as perdoam quando arrependidas confessam os seus pecados e creem em Jesus. As pessoas precisam saber que Deus não as abandonou, mas com o seu amor as recebem, as restauram e concede uma nova vida e novo ânimo.
Essas verdades elementares para a vida humana não podem ser terceirizadas. Imagine que amanhã, segunda-feria, você encontre uma pessoa desesperançada e diz para ela: “Domingo tem culto na igreja, vai lá. Lá você vai conhecer boas coisas.” Se você é mais ousado, diz: “Fale pra Deus”. Que evangelho você pregou? Que canal de bênção você foi para essa vida? A verdade é que quando transferimos para outrem o nosso dever de evangelizar no dia-a-dia, cometemos um sério erro com a pessoa e pecamos contra Deus, pois, descumprimos o explicito mandamento de Jesus, que é pregar o evangelho.
Nós sabemos que Deus não está preso a templos feito por mãos humanas, mas agimos como se fosse. A igreja não são quatro paredes que nos encontramos periodicamente, a igreja, são os regenerados por Deus e seguidores de Jesus, e, aonde quer que estejamos, ali deve estar o Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Seja no trabalho, em casa, na rua, no dia de lazer, em qualquer lugar nos depararemos com pessoas que precisam de Deus e não podemos transferir o privilégio que nos foi concedido de pregar o Evangelho.
Leia o livro de Atos que você verá a tremenda ousadia e coragem que os primeiros seguidores de Cristo tiveram para pregar. Eles pregavam com ousadia porque eram cheios do Espírito Santo, abra a sua Bíblia e avalie o contexto das declarações que seguem: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos." Atos 4.12 “...prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.” 2 Timóteo 4.2
Chega de terceirização! Precisamos acordar! Precisamos sair do comodismo do templocentrismo e começar a pregar o Evangelho com intrepidez em nosso dia-a-dia como o Senhor Jesus nos manda, Ele nos diz: "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século." Mateus 28.19,20 "...mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra." Atos 1.8

Pr. Rodrigo Odney

12 de jul de 2009

Inclusão Eclesiástica

Muito ouvimos falar de outro tipo de inclusão, a social. Existe um grande esforço dos organismos públicos para a inserção do indivíduo na vida social. Esta ação tem como base o princípio constitucional que afirma a igualdade entre as pessoas. Há ações específicas que visam facilitar a inclusão de portadores de necessidades especiais; aos menos favorecidos o estudo, a moradia; aos dependentes químicos; enfim, a inclusão social é necessária e não pode cessar.

Sem menor valor é a Inclusão Eclesiástica. Este assunto é urgente e a ausência de ações concretas nessa direção tem resultado na exclusão de pessoas que estão carentes e necessitadas de amor, de atenção, de cura, e, a inserção do convívio entre aqueles que professam a tríade: a fé, o amor e a esperança. Porém, ironicamente, a comunidade que deveria fomentar a inclusão, na verdade, mais exclui do que inclui.

Toda política de inclusão possui diretrizes que balizam o seu modus operanti para alcançar o objetivo proposto. Na Inclusão Eclesiástica essas medidas são traçadas pelas Sagradas Escrituras. Ela rege a nossa ação. Mostra o que precisamos fazer e deixar de fazer. Corrige a nossa miopia quanto à natureza humana, elucida a nossa compreensão quanto ao Único Deus e atualiza os nossos valores e forma de pensar.

O carente desta inclusão enfrenta de cara duas grandes barreiras que o mantém longe. A primeira é não ser notado e valorizado quando chega. Muitas vezes não facilitamos a inserção eclesiástica porque não acolhemos as pessoas. Nem sequer olhamos em seus olhos e expressamos com verdade uma saudação cordial. A indiferença para com aquele que chega é trágica e fecha muitas portas. Muitos vêm e não volta, não porque sejam incrédulos, mas, porque aonde esperavam encontrar o amor de Deus operando, o que encontram é a fria indiferença que já conhecem no mundo.
Vencida a primeira barreira, a segunda é regada de vaidade e desejo de primazia. O novo membro desta comunidade está empolgado e desejoso de servir. Quer ver a sua comunidade de fé, esperança e amor crescendo. Quer ver os excluídos, incluídos e acolhidos. Quer promover inclusão. Entretanto, são barrados por aqueles que chegaram primeiro e não querem compartilhar. Não querem perder espaço. Não querem servir, mas, serem servidos. Agem como se tivessem privatizado o cargo e o ministério que atuam. Se colocam como senhores, e, se esquecem que são servos, ou, deveriam ser.

Essas barreiras, bem como todas já tratadas, precisam ser excluídas de nosso meio. Saberemos o quanto estaremos saudáveis a medida que percebermos o quanto estamos unidos e fortalecidos em um único propósito de cumprir todos os desígnios de Deus revelado em sua Palavra. O nosso crescimento integral depende de nossa obediência ao que a Bíblia ensina. Unidade é resultado da obediência. Crescimento é consequência. Unidade precisa ser a nossa marca registrada.

Dentre muitos outros textos destacamos este do Apóstolo Paulo. “Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus.” Romanos 15.5-7 “ Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.” Efésios 4.15,16

Leia, reflita e mude. João 17.20-23; Atos 2.1,42-47; Efésios 4.29-32; 1 Coríntios 11.28-34.

Juntos Somos Mais,
Pr. Rodrigo Odney
rodrigoodney.blogspot.com

5 de jul de 2009

Eles não são do nosso tipo!

Eis uma frase que exprime identidade. O grupo diz: “Eles não são do nosso tipo”. O indivíduo diz: “Eles não são do meu tipo”. Quem assim se expressa revela o que pensa e o que está em seu interior. Revela a dificuldade em aceitar as pessoas. A limitação de relacionar-se com os diferentes. A infelicidade em rejeitar o semelhante. Está tão acomodado com o estilo de vida que leva, com a rotina da afinidade que não percebe o quanto perde em desprezar o outro que não é do seu circulo.

Via de regra este padrão de rejeição ocorre quando pessoas novas e desconhecidas cruzam o nosso caminho, ou, quando a convivência permite o maior conhecimento do outro, e pensamos: “Ele é assim!?” “Ela gosta disto!?” “Ele é Corintiano!?” “Ele é Santista!?” Não pode! Se não é como eu sou, ou, como nós somos, não pode ficar conosco! Não tem como! Precisamos eliminá-lo do nosso meio, do nosso grupo. Com isso as estratégias diabólicas começam a acontecer para anular ou exitipar o outro, geralmente o que ocorre é: “Vamos boicotá-lo.” “Vamos agir com indiferença.” “Ajamos como se ele não existisse.” “Vamos desprezá-lo” “Vamos fazê-lo sentir desprezível”.
Não escrevo nada estranho e de novo. O problema que trato nesta pastoral, é real e diabólico. Tem causado a ruína da nossa sociedade, bem como da igreja. Toda fez que você age com indiferença para com o seu próximo, como se não o visse, mesmo vendo-o, quando você deseja anular a outra pessoa, especialmente porque é diferente de você, ou, do grupo que você participa, você está pecando gravemente contra Deus, está sendo um instrumento das trevas para detonar com a comunhão e o respeito mútuo dentro da igreja.
O apóstolo Paulo ao escrever para a Igreja de Corinto os adverte quanto a este problema. Aquela igreja era ativa, porém, desfacelada por relacionamentos facciosos e predileção de alguns. Os fomosos “grupinhos donos da igreja” que querem controlar e fazer com que a igreja seja a sua imagem e semelhança. O que gera? Uma anomalia eclesiástica. Uma aberração. Uma distorção da Igreja de Jesus. O Evangelho é blasfemado, a igreja é enfraquecida, os grupinhos se colidem e as pessoas tornam-se escravos do Diabo e difamam a igreja. A palavra de Deus nos adverte em 1 Coríntios 1.10-13; Tiago 2.1-9; 1 João 3.18; Filipenses 2.4; Romanos 15.1-3.
Seriamente necessitamos parar com tanta correria e rever como estamos agindo uns com outros. Precisamos reparar os erros que cometemos diariamente, dominicalmente, ano vem e ano vai e nenhuma mudança ocorre. Não podemos nos conformar a este padrão lascivio da carne, do mundo e do Diabo. Quem são as pessoas que você tem dificuldade de se relacionar? Quem são as pessoas, ou a pessoa, que você não se bate? Você não pode continuar vivendo deste modo. Não pode continuar nutrindo a indiferença e a rejeição contra o seu próximo, e mais o seu irmão em Cristo. Romanos 12.18
O Senhor Jesus é muito claro acerca deste assunto. Leia Mateus 5.23-26; Mateus 18.15; Tiago 5.16. O que você está esperando para reconciliar com o teu próximo? “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.” Tiago 5.16. Mude. “Eles não são do nosso tipo” não é esta identidade que Deus nos dá. Não devemos fazer acepções de pessoas. Deus não faz! Deus derrama o seu amor e perdão para todos os que se arrependem e creem em Jesus Cristo. Todos que sinceramente o buscam e anseiam por uma nova vida. Leia esses textos: Deuteronômio 10.17-18; 16.19; Atos 10.34; Romanos 2.11; Efésios 6.9; Colossenses 3.23-25; Tiago 2.1-9; 1 Pedro 1.17-21.
A nossa identidade é forjada por Deus na pessoa do nosso único Senhor e Salvador Jesus Cristo. Como bem exortou o apóstolo dos gentíos “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, ...” Romanos 12.2 Deixemos o indiferentismo, o individualismo e o grupismo. Vamos tratar as nossas feridas e doenças para que sejamos curados, saudáveis e crescentes para o louvor da Glória de Deus e a expansão do Evangelho.
Juntos Somos Mais,
Pr. Rodrigo Odney